Saúde integrativa

zen workout pose de yoga com plantas como plano de fundo.

A visão que temos sobre o nosso ser, por vezes, é um pouco redutora. Preocupamo-nos muito com o nosso corpo físico, na busca de uma “pílula mágica” que abafe ou faça desaparecer, como que por milagre, os sinais que o nosso corpo demonstra.

Este artigo é sobre levar-te a viajar para dentro e conhecer-te melhor a todos os níveis. Levar-te a despertar amor e curiosidade pela complexidade do nosso ser. Existe tudo em nós e tudo está interligado. Todos os nossos campos devem de ter a mesma atenção e amor, o nosso campo físico, tal como, o emocional, mental e espiritual. É tudo um caminho de busca pelo equilíbrio.

Por vezes, desistimos desta viagem do autoconhecimento, porque mudar hábitos e encontrar esse equilíbrio não é fácil. Mas essas barreiras que achamos existir, na sua maioria estão interligadas aos nossos padrões familiares que moldam e limitam os nossos pensamentos, as nossas emoções e consequentemente as nossas ações. Na verdade temos tendência em repetir os padrões, porque é aquilo que conhecemos e compreendemos. Esta lei de atração e de sentimento de segurança por estarmos na zona de conforto, dificulta-nos a mudança.

Para mudar padrões de comportamento, compreender o que está por detrás de tudo isso e quais são as crenças associadas é essencial. A crença do não merecimento é a que aparece na maior parte das vezes e está associada à nossa exteriorização, à priorização do outro em função de nós mesmos, à desistência a cada obstáculo e à autossabotagem. Achamos que aquilo que admiramos no outro não é para nós e arranjamos todas as desculpas possíveis, muitas das vezes, num lugar de vitimização, só para não admitirmos que apesar de dar trabalho, aquilo também é possível ser ambicionado e alcançado por nós. Então passa por primeiro reconhecer quais são os nossos padrões e depois perceber o que podemos fazer para os mudar. É tudo uma questão de tentativa e erro e de não desistir. Nós somos capazes de tudo e merecedores do mundo!

Quando o nosso corpo físico apresenta algum sinal/sintoma, é importante perceber o que poderá estar na causa desta situação e não apenas estar preocupado em fazer esse sinal/sintoma desaparecer. Questões que te podes colocar a ti mesmo: Como têm sido os meus hábitos de sono, alimentação, movimento e prática desportiva, gestão de pensamentos e emoções, níveis de stress e ansiedade, relações intra e interpessoais, momentos de lazer, hábitos de autocuidado,…?
Descobrir a causa de algo não é tão simples e objetivo, leva-nos a uma reflexão e a uma necessidade de presença constante no momento do agora. Quando nos focamos no passado ou no futuro, distanciamo-nos, do que, está a acontecer agora, geramos ansiedade e saímos do lugar de consciência que nos permite agir com conexão no agora.
Este distanciamento focado no antes e no depois gera altos níveis de ansiedade, cegando-nos com enormes níveis de cortisol e não nos deixa ver as coisas com clareza. Observamos obstáculos em tudo, multiplicamos o tamanho de um desafio para uma dimensão monstruosa que nos faz viajar para um lugar de vítima e de impotência. Quando abraçamos tudo com amor e calma, tentando sempre nos manter em vibrações de harmonia, conseguimos manter o controlo das situações, colocar o nosso foco e ver com mais clareza as soluções, ao invés dos problemas. Aliás os problemas já não são problemas, mas são encarados como desafios.

Os nossos pensamentos e emoções estão inteiramente ligados aos nossos sintomas físicos. Quando estamos regularmente com dores de estômago, para além, do que andamos a comer, o modo como comemos e a intenção que colocamos nesse momento de refeição, tudo conta. Podemos estar a comer a refeição mais saudável, colorida e equilibrada, mas se a mesma for ingerida em 10 minutos e numa plena agitação ou discussão com alguém, a probabilidade de essa refeição nos cair mal, gerar dores de estômago ou mesmo a absorção dos nutrientes não ser a idealizada é quase certa. O nosso corpo é uma constante de processos químicos. Quando estamos stressados, chateados, irritados, os níveis de cortisol estão elevados e isso faz-nos sentir deprimidos, com sensação de inchaço abdominal, fadiga crónica, entre outros. Então não adianta tentar ter os melhores hábitos alimentares, se tudo o resto não está em concordância e harmonia.

A prática de exercício é aconselhada, porque nos permite adquirir cinco hormonas que nos trazem inúmeros benefícios para o nosso dia-a-dia.
A hormona da felicidade, a endorfina é uma hormona que promove a sensação de bem-estar e de recompensa, funcionando como um analgésico natural para o organismo, aliviando dores e ansiedade e inibindo o stress.
Por outro lado, na prática de exercício físico também é libertada serotonina, a hormona da felicidade. Esta hormona está relacionada à regulação do humor, na melhoria da memória, na sensação de bem-estar, na regulação da temperatura corporal, melhora as funções cognitivas e regula o ritmo cardíaco. Com isto, a nossa estabilidade mental e emocional está inteiramente ligada à prática de exercício físico.
A hormona do cortisol também é libertada na prática do exercício físico, mas ao contrário do stress, esta é libertada em níveis equilibrados, proporcionando os benefícios que ambicionamos para o nosso dia-a-dia: Diminuição dos níveis de stress causados no dia-a-dia; Aumento dos níveis anti-inflamatórios no corpo; Regulação do ciclo biológico; Maior concentração e energia durante o treino; Conserva os níveis normais de glicemia, evitando o aparecimento de níveis baixos de açúcar no sangue. As pessoas que estão constantemente com quebras de tensão, podem ter associado a este sintoma a inexistência de prática desportiva na sua rotina. O mesmo acontece se estão constantemente com inflamações no corpo.
Por outro lado, também são libertadas mais duas hormonas na prática de exercício físico, tais como, a adrenalina e a somatotrofina. A primeira geralmente está presente na prática de desportos mais radicais e ajuda a ter uma resposta mais rápida ao stress. A segunda está responsável pela multiplicação das células e pelo crescimento físico. Ajuda na queima de gordura e fortalece o crescimento dos tecidos e fibras musculares. As atividades de alta intensidade ajudam a produção desta hormona e por sua vez o aumento do ganho de massa magra/muscular.

No fundo tudo o que acontece no nosso corpo físico, existe para nos fazer perceber que há algo que não está certo. É um sinal de alerta visível aos nossos olhos, como uma chamada de atenção para tentarmos perceber o que poderá estar a causar esse sintoma. Ouvir o nosso corpo, estudar e conhecê-lo é essencial para direcionar a nossa intervenção e eventualmente a procura de ajuda adequada. Quantas vezes andamos a investir rios e rios de dinheiro em médicos e terapias, numa ânsia inconsciente de achar a “pílula mágica”. Por vezes, nem sabemos explicar ao certo quais são os nossos hábitos e as nossas rotinas, porque nem refletimos sobre isso. É importante esta viagem e este olhar para dentro, para que, possamos perceber onde poderá estar provavelmente a causa do que está a acontecer. Pode ser no nosso emocional, espiritual, mental ou mesmo físico.

Em termos emocionais, geralmente quando passamos mais tempo com os outros, do que, connosco mesmo, tendemos a nos tornarmos mais inseguros, mais frágeis, porque a comparação é inevitável. Quando não investimos tempo em nós, geramos a sensação de estarmos em falta para connosco mesmos e iniciamos um ciclo de comparação, de inveja e de vitimização que em nada nos é saudável. Quando nos encontramos num estado de stress constantemente, ativamos o cortisol e a adrenalina e ativamos a parte mais primitiva do cérebro. Geralmente nestes momentos é quando desistimos de nós, nos isolamos, deixamos de investir nos hábitos de autocuidado, mas é simplesmente quando devemos de fazer o contrário. Quando estamos tristes ou nos sentimos mais em baixo é a altura em que me mais nos devemos de priorizar ao invés de nos abandonarmos.

Gerirmos a nossa energia implica que estejamos mais conectados e em consciência, sem nos preocuparmos tanto com a opinião dos outros. Apenas sermos. Estarmos em conexão com o universo e deixarmos fluir. Sermos esse canal puro e humilde. De um lugar de humildade quanto à aprendizagem, de tentar, errar e voltar a tentar e percebermos que não somos perfeitos.

O melhor que tu podes fazer pelo mundo é iluminares-te! Só assim é que tu vais transmitir amor ao mundo. O amor que tu queres ver no mundo e igualmente a transformação, têm que começar em ti. A tua luz vai iluminar quem está à tua volta e quem realmente precisa.

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