Desde sempre as mulheres desempenharam papéis essenciais na sociedade, as mulheres eram honradas e respeitadas pelo seu dom milagroso de gerar vida no seu ventre e nutri-la com o leite dos seus seios. Antigamente as sociedades eram matrifocais, organizadas ao redor das mulheres e crianças e protegidas pelos homens. As mulheres tinham o dom da cura devido à sua sensibilidade e percepção expandidas, elas mediavam intercâmbios entre os humanos e aquela intuição invisível a que chamamos “6º sentido”. As mulheres criavam e nutriam e os homens eram responsáveis pelo plantio, colheita, caça e por proteger as crianças e animais. Nas comunidades antigas, as mulheres eram guardiãs do conhecimento sobre ervas, ciclos naturais e práticas espirituais. Eram conselheiras das tribos, curandeiras e líderes em sabedoria comunitária. Hoje, essa ancestralidade lembra-nos que o poder feminino é intrínseco e que a força não é apenas física, mas também interna, emocional e criativa.
No entanto, ao longo da história as estruturas sociais e económicas foram moldadas para restringir a autonomia feminina. A conquista de territórios que levou à construção de uma nova estrutura social, onde prevalecia a força física e a habilidade masculina de fazerem parte também no ato de gerar a vida, sem eles a mulher não podia ter filhos. Então a “Deusa mãe” foi substituída pelo orgulho de eles serem cocriadores, pelo poder, pela força, por casamentos estratégicos, sistemas patriarcais, pela dominação do mais forte. Com isto as mulheres foram rebaixadas, humilhadas e mortas por muitos anos, até que o poder da sua união lhes permitiu conquistar tanto do que vivemos hoje, poder estudar, poder trabalhar, poder votar e poder lutar por uma sociedade novamente mais igualitária. O foco na produtividade e no sucesso profissional acabaram por afastar muitas mulheres da sua essência, gerando sobrecarga, exaustão e desconexão do corpo, mente e alma.
Nos dias de hoje com a vida acelerada e hiperconectada, pesquisas mostram que 60% das mulheres relatam sentir-se sobrecarregadas e incapazes de dedicar tempo suficiente a si mesmas (fonte: American Psychological Association, 2022). A libertação feminina, portanto é também um resgate do direito ao próprio ritmo, à intuição, à criatividade, à sensibilidade e ao prazer.
Práticas como meditação, movimento consciente e círculos de partilha ajudam a reconectar com o próprio corpo e com a própria essência. Uma das maiores medicinas é a partilha da verdade e a identificação que acontece quando temos a coragem de nos expormos. Esse “espelho” traz um sentimento de unidade, de “afinal não estou sozinha, não sou a única”. Libertar-se das expectativas externas e retomar escolhas conscientes permite não só melhorar a saúde emocional e física, como também fortalecer relacionamentos e expandir a energia criativa no trabalho, na família e na comunidade.
Tantas vezes ouvimos falar em “transformar a dor em dom”, mas ao fim ao cabo o que significa isso? É quando procuramos conhecermo-nos melhor e perceber que aquilo que nos magoou pode ter um significado que não só a raiva, o ódio, a frustração,… mas sim um convite para mergulharmos profundamente em nós e encontrarmos força, sabedoria e experiência para utilizar essa experiência como crescimento pessoal, inspiração para sairmos desse lugar negro e escuro e encontrarmos a nossa luz e brilho pessoal.
Somos nós mulheres que estamos a fazer nascer a “Nova Era/Terra” e por isso estamos hoje aqui unidas para despertarmos e ocuparmos o nosso lugar crucial na história. É através das forças femininas do amor, da compassividade, da união e da criatividade que o coração do mundo se irá curar. As mulheres dão à luz e são as grandes educadoras da Humanidade, estes são os nossos maiores dons. Num momento em que a sociedade patriarcal, competitiva e violenta deixou completamente de funcionar, os valores femininos precisam de falar mais alto. A revolução é pelo amor. Amar a nós mesmas, às outras mulheres, aos outros humanos e amar o nosso planeta é o único caminho de regresso à harmonia dos antepassados, resgatando a essência da vida e da nossa raça.
No contexto do Zen Workout, cada encontro, aula ou evento é pensado para que cada mulher sinta que a sua energia se expande e se propaga, impactando todas as áreas da sua vida. Libertar-se é permitir-se sentir, expressar e ser reconhecida como única e poderosa.


